Inicia-se
este histórico, mencionando um bandeirante
que tornou-se importantíssimo para o Município,
outrora habitado por índios Tinguis e Cabeludos.Vejamos:
registra-se, por final, em: “Informações
sobre as minas de São Paulo”, que, ainda
a 13 de agosto de 1679, foi expedida igual ordem para
o descobrimento de ribeiros de ouro de lavagem, no
“ Sertão de Curitiba”, aos paulistas
(em tropa): Luiz de Góes, Antônio Luiz
Tigre, Guilherme Dias e o “ Capitam” Agostinho
de Figueiredo.
Neste período era comum entre os portugueses
o apelido que correspondia a uma qualidade característica
do temperamento ou um defeito físico; foi o
Tigre, que se afirma descobriu ouro na localidade
de Itambé (hoje pertencente ao município
vizinho de Balsa Nova); no ano de 1679, quase toda
a região que forma o município de Campo
Largo foi explorada em busca de ouro, alguns nomes
relembram a época da exploração:
Serra da Prata, Bateias, Ouro Fino, etc.
O
Sr. Antonio Luiz Lanin ou o Tigre morou na fazenda
de Tamanduá (hoje também pertencente
ao Município de Balsa Nova), onde grande número
de escravos se dedicaram a agricultura e pecuária;
o desbravador possuía uma sesmaria, onde foi
construída uma capela, templo pioneiro na vastidão
dos campos gerais.
Parte do
seu território (do Tigre),foi abandonado ainda
em vida, não sendo conhecidos os limites da
sua área, que por não ter herdeiros
ficou seus bens postos à venda em praça
de acordo com a lei.
Assim em
1819, a Fazenda do Tamanduá foi arrematada
em praça pública pelo Brigadeiro Manoel
de Oliveira Franco. O Campo da Ilha foi arrematado
por João Antonio da Costa e no próprio
termo de arrematação ficou expresso
que desde aquele momento dava o dito campo a Nossa
Senhora da Piedade para lhe servir de patrimônio.
A primeira
casa do povoado foi feita por Joaquim Lopes Cascais
nela sendo abrigada à imagem da santa até
se construir o Templo, os primeiros fundadores de
Campo Largo foram o Sr. João Antonio da Costa
com seus dois genros Joaquim Lopes Cascais e o Alferes
José Pinto Ribeiro Nunes, sendo este último
o detentor da glória de ser o primeiro professor
primário de Campo Largo.
Portanto,
estes três homens merecem em conjunto o título
de beneméritos fundadores da povoação
de Campo Largo.
Como o
já mencionado, neste período, diversas
expedições de Viajantes e bandeirantes
haviam alcançado o Segundo Planalto, passando
pelos campos da região e subindo pelo vale
do rio Ribeira até atingir o rio Açunguí,
sendo que Campo Largo facilitou muito o acesso aos
Campos Gerais, pois por ele não havia grandes
perigos nem grandes atoleiros a atravessar. As serras
a serem transpostas eram suaves, sem o perigo da Serra
do Itupava. A maior parte do caminho, portanto, era
campo livre, através de aprazíveis cochilhas,
charnecas e savanas.
A denominação
de Campo Largo é antiga e remete aos tempos
do desbravamento dos Campos de Curitiba, quando o
Coronel Antônio Luiz, português de nascimento
e pioneiro do atual município, possuía
uma sesmaria onde se situa a atual sede municipal.
Em 1819
o capitão Antônio da Costa, possuidor
de terras naquela região, doou parte de sua
propriedade, permitindo que naquela região
se instalasse quem bem entendesse, desde que cuidasse
da terra doada. Nesse mesmo período, iniciou-se
a construção da primeira igreja, a Capela
de Nossa Senhora da Piedade, sendo administrada por
João Antônio da Costa e o Padre José
Joaquim Ribeiro da Silva, o qual realizou a primeira
missa no local, além de ser o protetor espiritual
da comunidade.
Após
o término da construção da capela,
em 1828, o vilarejo foi elevado à categoria
de Capela Curada.
Campo Largo
da Piedade foi elevada à categoria de Distrito
Judiciário em março de 1841, pertencendo
à comarca de Curitiba. Em abril de 1870, foi
criado o município de Campo Largo, com território
desmembrado de Curitiba o que foi oficializado somente
em 1871.
Devido
à atividade pecuária na região,
iniciou-se o movimento do gado pelo caminho de Sorocaba,
entre Curitiba e São Paulo. De Curitiba até
os Campos Gerais, o trecho era conhecido como Caminho
do Purunã. Com a ligação do trecho
de Sorocaba criou-se uma nova rota para o movimento
do gado que ficou conhecida como Caminho de Viamão.
A região
aos poucos passou a ser chamada de Campo Largo, como
referência à morfologia do terreno.
A estrada
do Mato Grosso, foi a principal via de ligação
de Curitiba aos Campos Gerais durante o ciclo do mate,
ao longo da qual cresceu então a cidade de
Campo Largo com atividades ligadas à agricultura,
pecuária, extração e beneficiamento
de madeira e indústria de produtos cerâmicos.
Com a colonização
do Norte do Paraná e a necessidade de ligar
a capital e o porto de
Paranaguá
à região de produção de
café surgiu, na década de 1940, a estrada
do Cerne que também ajudou a promover o crescimento
de Bateias e a ocupação do município.
A abertura de estradas propiciou o desenvolvimento
da agricultura.
Em 1954,
a produção de louça começou
a desenvolver-se com a implantação da
Fábrica Steatita próximo ao rio Itaqui,
estimulando o surgimento dos loteamentos a partir
da década de 60. Após a Steatita instalaram-se
a INCEPA, Germer e Lorenzetti entre outras fábricas
de porcelana que consolidaram a atividade industrial
típica da cidade.
Os colonos
inicialmente estabeleceram-se em torno de Curitiba
e mais tarde demandaram para as regiões mais
distantes. Os lotes distribuídos pelo governo
eram pequenos, por essa razão os colonos começaram
a comprar terras dos fazendeiros. Tanto os colonos
poloneses, quanto os italianos receberam pequenas
propriedades e cultivaram em regime familiar.
1.9.1 Colonização
Italiana
No início
do século XVII, a população do
Paraná estendia-se de Paranaguá até
os Campos Gerais de Guarapuava e Castro, passando
por Curitiba, a capital, até então uma
cidade sem maior expressão.
A princípio,
como no restante do país, as áreas colonizadas
eram as do litoral, pois possuíam terras férteis,
mas difíceis de cultivar, principalmente devido
à alta temperatura. A tarefa primordial dos
primeiros imigrantes foi "colonizar" a região
já ocupada tradicionalmente pelo elemento nativo
de origem lusa.
A Colônia
Antônio Rebouças, localizada no Distrito
de Ferraria, é a mais antiga colônia
italiana do município de Campo Largo, onde
os colonos italianos construíram a sua primeira
igreja no Paraná (1878), tendo por padroeira
Nossa Senhora do Carmo.
Apesar
do progresso que houve com os colonizadores pioneiros,
o desenvolvimento foi mais intenso com a chegada dos
imigrantes italianos.
A influência dos imigrantes italianos é
perceptível nos alimentos: uva, sucos, conservas
de frutas, salame, queijos, carnes, massas; nas festas
religiosas; no artesanato: madeira, couro; nos estilos
das igrejas e casas, dos móveis e utensílios
domésticos; no vocabulário; nos hábitos
sociais e no lazer.
1.9.2 Colonização
Polonesa
Dentre
as levas migratórias, destaca-se a polonesa
que começou nos rocios de Curitiba e nos anos
subseqüentes atingiu os lugares mais distantes.
No final
do século XIX o estado polonês não
existia. Após a guerra, a Polônia estava
dividida em 3 partes: a Galícia Austríaca,
a Silésia Prussiana e a Rússia. Com
isso, o povo polonês ficou então sem
poder falar a sua língua, sem sua religião,
sem sua terra para plantar e sem escolas.
Inconformados
com esta situação, decidiram deixar
seu país e muitos vieram para o Brasil, mais
especificamente para o Paraná.
Destaca-se,
portanto em Campo Largo o surgimento das colônias
Riviere – Ferraria (1876), Cristina e Alice
(1886). Os demais núcleos, como Rio Verde e
Colônia Mariana, também de colonização
oficial, surgiram posteriormente, em parte já
povoadas pelos filhos dos pioneiros.
1.9.3 Gaúchos,
Garimpeiros e Ervateiros
Os gaúchos,
que eram encarregados de fornecer o alimento aos garimpeiros,
dedicaram-se a criação de gado, favorecendo-se
dos campos.
O ouro
na região próxima de Curitiba atraiu
garimpeiros que alançaram o rio Açungui.
Nesta época, ocorreu a fundação
de Curitiba. Os garimpeiros buscavam regiões
auríferas, com o fracasso no rio Açungui,
posteriormente, eles foram para Minas Gerais.
A erva-mate,
na cidade de Campo Largo, constituiu-se em novo fator
nessa região. A exportação para
os países da prata começou através
dos portos de Morretes e de Cima.
Atualmente
a erva-mate é produzida e industrializada por
processos modernos através de grandes empresas,
coexistindo igualmente a produção familiar
que utiliza os equipamentos semelhantes, expostos
no Parque Histórico do Mate..
Em
Campo Largo existiam 13 engenhos, um dos quais construídos
nos meados de 1870 pelo Cel. Carlos Franco e Souza,
sua construção levou 16 anos.
Em 1896
após a morte do Cel. Carlos Franco e Souza
o engenho foi entregue a seu herdeiro Agostinho Ribeiro
de Macedo; que o vendeu para o italiano Pedro Paulo
Marchiorato, o engenho então foi adaptado para
a moagem de milho. Em 1969, foi tombado pelo Instituto
Histórico e Artístico Estadual. Em 1978
é implantado o Parque Histórico do Mate,
e em 1982 é inaugurado o “Museu do Mate”,
com um vasto acervo de documentos fotográficos,
escritos e cinematográficos.
É
o primeiro e único do gênero com permanente
exposição de caráter didático
com significado antropológico, histórico,
social e econômico do ciclo ervateiro, sendo
talvez o único engenho hidráulico do
mate que conseguiu sobreviver até hoje.